Comerciantes de 85 cidades brasileiras vendem abelhas ilegalmente na internet

Comerciantes de 85 cidades brasileiras vendem abelhas ilegalmente na internet

O Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma) criou um processo de mineração de dados na internet capaz de rastrear anúncios de vendas ilegais de abelhas sem ferrão. Sem as devidas autorizações e cuidados, este tipo de comércio é proibido no país, e ameaça a conservação das espécies de abelhas brasileiras.

O método foi desenvolvido pelo biólogo e pesquisador do Inma Antônio Carvalho, que rastreou uma rede de vendedores que opera no comércio de vendas online. A pesquisa foi publicada na revista inglesa Insect Conservation and Diversity e divulgada pela Agência Bori.

Segundo o pesquisador, ao menos 85 cidades brasileiras estão envolvidas no esquema. A maioria está localizada em áreas da Mata Atlântica, onde são comercializadas colônias de abelhas a preços que variam de R$ 70,00 a R$ 5 mil. Entre dezembro de 2019 e agosto de 2021, foram mapeados 308 anúncios ilegais, que somavam até R$ 123,6 mil. Quase 80% das vendas estão no Mercado Livre.

Carvalho ainda mostra que o comércio ilícito de abelhas pode gerar sérios desequilíbrios ambientais, pois os insetos são responsáveis pela polinização das plantas. Essa função é capaz de gerar frutos e proteger o funcionamento do ecossistema. A pesquisa ainda aponta outros desequilíbrios que podem ser gerados pela prática, dentre eles, a escassez de alimentos no campos e nas cidades, e a extinção de abelhas e outros insetos.

 

Texto: Victor Ferreira

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