Mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ aumentaram 33,3% em um ano

Mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ aumentaram 33,3% em um ano

Dados divulgados pelo Dossiê de Mortes e Violências contra LGBTQIA+ no Brasil mostram que, em 2021, o país notificou, ao menos 316 mortes violentas de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo e assexuais. O número representa um aumento de 33,3% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 237 casos. A pesquisa foi fruto de uma extensa coleta de notícias sobre violência contra a população LGBTQIA+ em jornais, portais eletrônicos e redes sociais.

O levantamento depende do reconhecimento da identidade de gênero e da orientação sexual das vítimas pelos veículos que reportam as mortes, e por isso, muitos atos de violência contra pessoas LGBTQIA+ acabaram não entrando na contabilização. O dossiê foi feito em parceria com a Acontece Arte e Política LGBTQIA+, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

Em 2021, os dois grupos que sofreram mais violência foram os de homens gays, com um total de 145 mortes (45,89%), e o das travestis e mulheres trans, com 141 mortes (44,62%). As mulheres lésbicas representam 3,80% (12 casos), e homens trans e pessoas transmasculinas somam 2,53% das ocorrências (oito mortes). Bissexuais (0,95%) e pessoas identificadas como outros segmentos (0,95%) tiveram 3 mortes em cada grupo. Quatro pessoas com orientação sexual ou identidade de gênero não identificada também apareceram na pesquisa, representando 1,27% do total (4 casos).

A maior parte dos crimes foram de homicídio, com 262 registros (o que corresponde a 82,91% dos casos). Foram identificados ainda 26 suicídios (8,23%), 23 latrocínios (7,28%) e 5 mortes por outras causas (1,58%).  A idade das vítimas variou de 13 a 67 anos, sendo que a maioria das mortes ocorreu com jovens entre 20 e 29 anos (96 casos, o que representa 30,38% do total). Os estados mais numerosos no dossiê foram São Paulo (42), Bahia (30), Minas Gerais (27) e Rio de Janeiro (26).

O levantamento aponta que a maior parte das mortes ocorreu por esfaqueamento, em 91 casos (28,8% do total). No segundo lugar vieram as mortes por arma de fogo, com 83 casos (26,27%), seguida por espancamento, com 20 casos (6,33%), e asfixia, em 10 casos (3,16%). A maioria dos atos violentos ocorreram no período da noite, com 152 casos, o que representa 48,10% do total. Já as mortes em período diurno foram 11,08%, e em 129 das vezes (40,82%) o período não estava identificado na notícia. 

Quanto às notificações de suicídio, a maior parte ocorreu entre travestis e mulheres trans, com 38,46% do total (10 pessoas), e homens gays, com 30,77% do total (8). Em seguida, estão os homens trans e as pessoas de outros segmentos, com dois casos cada.

 

Texto: Victor Ferreira

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